Construção de Tarifas

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Os Custos Marginais de Uso do Sistema de Distribuição e a Construção da TUSD Fio B

Os custos das redes estão vinculados à sua demanda máxima. Somente o aumento da demanda máxima transitada pelas redes implica em necessidade de investimentos em expansão (longo prazo).

Acontece que existem redes com demanda máxima no período de ponta (entre 18:00 h e 20:00 h), e redes com demanda máxima fora desse horário. Ou seja, a empresa distribuidora investe para expandir redes com demanda máxima às 18:00 h, 19:00 h e 20:00 h e também para expandir redes com demanda máxima às 10:00 h, 14:00 h, 16:00 h etc. Ou seja, é possível separar as redes com demanda máxima em cada hora e portanto separar os custos em cada hora, ou em cada posto tarifário.

O cálculo dos custos de Uso do Sistema de Distribuição consiste em determinar quais os acréscimos de fluxo impostos em todas as redes (desde seu ponto de conexão até o 138 kV) por um determinado tipo de cliente ao se conectar ou aumentar sua carga em um determinado nível de tensão no posto Ponta e Fora de Ponta. O somatório do produto desses acréscimos de fluxo em cada nível de tensão pelo custo de expansão do nível será o custo imposto por este cliente tipo nas redes com demanda máxima na Ponta e nas redes com demanda máxima Fora da Ponta.

No entanto, a demanda faturada do cliente é a máxima mensal registrada (ou contratada) no posto tarifário, que é bem diferente do fluxo que transita nas redes.

Deve-se levar em consideração que a demanda faturada do cliente não ocorre necessariamente no mesmo horário da demanda máxima das redes (responsável pelo acréscimo de custo). Ou seja, ao faturar 1 kW de demanda pode-se não estar incorrendo em um acréscimo de 1 kW nas redes. Deve-se então considerar o Fator de Coincidência, o que requer o conhecimento da forma das curvas de carga e das horas de carregamento das redes. A demanda do cliente na hora de carregamento da rede dividida pela sua demanda máxima denomina-se Fator de Coincidência.

Acontece que existem várias formas de curvas de carga de redes, cada uma delas com um horário de carregamento. Um cliente (conforme sua curva de carga) impõe diferentes custos a cada uma delas. Assim é necessário considerar a probabilidade de cada cliente estar associado a cada tipo de rede. Com estas probabilidades pode-se calcular um fator de coincidência médio do cliente nos vários horários de carregamento das diversas redes típicas;

Deve-se também levar em consideração as perdas acumuladas de potência no sistema de distribuição. Pois, existe uma diferença entre a demanda máxima medida (e faturada) do cliente e a potência que está transitando nas redes a montante de seu ponto de conexão (maior).

Outra consideração importante é a topologia da rede: quando 1 kW é solicitado ou injetado em um determinado nível de tensão, não necessariamente transitará 1 kW em todos níveis de tensão a montante, pois o sistema não é totalmente radial. Nesse caso, deve-se agregar os custos desde o 138 kV até cada nível de atendimento levando-se em consideração a distribuição de fluxo no sistema quando se retira uma carga nesse nível. Assim, deve-se considerar uma proporção de fluxo para ajustar os custos de cada rede, calculada com base no diagrama unifilar simplificado da empresa.

Existem mais de um tipo de curva de carga de cliente, cada um com Custos de Uso da Rede de Distribuição diferentes. Devem-se calcular os custos para todos eles. Somente conhecendo os custos dos vários clientes tipos poderemos construir as diversas modalidades tarifárias.

Para se conhecer o custo de cada cliente em cada posto tarifário é preciso saber quais redes ele utiliza. Em níveis altos de tensão isto pode ser determinado. Mas cada cliente, principalmente um cliente novo, pode estar ligado a qualquer rede, com maior ou menor chance. Além disso, em tensões de distribuição o número de clientes é grande, bem como o número de redes, e esta análise é então feita de forma probabilística para um número reduzido (agrupado) de clientes e de redes, da seguinte forma:

- Definem-se os tipos característicos de redes (tipologia);

- Definem-se os tipos característicos de consumidores;

- Calcula-se a probabilidade de cada cliente estar associado a cada uma dessas redes.

Cada cliente “utiliza” a rede à qual está conectado e todas as redes a montante (tensões superiores) do seu ponto de conexão. Assim, é preciso saber a probabilidade de cada cliente tipo associar-se a cada rede tipo em cada nível de tensão, para poder calcular o seu custo em cada posto, em cada nível. O custo total de potência de um determinado cliente será a soma dos seus custos (em cada posto tarifário) de todos os níveis de tensão.

Assim determinam-se os custos marginais desde o 138 kV até cada nível de fornecimento de potência em Ponta e Fora de Ponta:

- Custo de Uso do 138 kV;

- Custo de Uso do 138 kV até o 69 kV;

- Custo de Uso do 138 kV até o 34,5 kV;

- Custo de Uso do 138 kV até o 13,8 kV;

- Custo de Uso do 138 kV até o AS kV;

- Custo de Uso do 138 kV até a BT.

Após calcular os Custos Marginais de Uso do Sistema de Distribuição de cada cliente tipo de cada nível de fornecimento do Grupo A, e ajustá-los em nível para igualar a Receita Marginal à Receita Requerida do Fio, são construídas uma TUSD para os clientes de Longa Utilização e outra para os de Curta Utilização, buscando cobrar de cada consumidor, um valor que seja o mais próximo possível de seu custo total: TUSD Azul e TUSD Verde.

São criadas as TUSDs Monômias Convencional para os consumidores e também são construídas TUSDs Diferenciadas para os clientes de Baixa Tensão.

A partir dos Custos de Uso do Sistema de Distribuição (ou Custo de Potência) ajustados, em R$/kW.ano, e das Horas de Utilização (H) de cada consumidor típico é possível construir um gráfico para cada posto tarifário para cada posto tarifário, relacionando estas duas variáveis:

Considerou-se como Custo de Potência de Ponta, os custos marginais de Ponta de cada consumidor tipo ajustados em nível para igualar a Receita Marginal à Receita Requerida.

Observa-se que, se forem construídas tarifas exatamente iguais aos custos de cada cliente, disponibilizando-as a todo mercado, obviamente todos os clientes optariam pela de menor preço de demanda (P7), nesta condição apenas o consumidor C7 estaria bem faturado. Ou ainda, se fosse construída uma única tarifa, Pm, igual ao custo médio de potência, verificar-se-ia que os consumidores C1, C2 e C3 pagariam abaixo do custo enquanto os consumidores C5, C6 e C7 pagariam acima, somente o cliente C4 estaria bem faturado, não atendendo, portanto, os princípios de justiça e eficácia.

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